terça-feira, 29 de junho de 2010

dividir uma imagem incrível...


Nessa postagem queria registrar pra poder nunca me esquecer dessa imagem que eu vi no metrô, semana passada...Registrar também pra poder dividir isso com quem mais quiser ler....
Como havia dito, estava no metrô de São Paulo. Linha azul. A caminho da Zona Norte da cidade, como sempre faço. Rumo a minha casa. Por ser perto de 6h da tarde, como de costume, o metrô estava bem rico, demograficamente falando! Quando consegui me sentar um um banco, tive uma visão privilegiada e linda. Adorável... Duas figuras tão contrastantes inteiramente sintonizadas e em harmonia. A saber, as figuras eram do sexo masculino. Um homem e um bebê. O homem tinha o seu cabelo o pelos da face todos já brancos, mas esbanjava um espírito jovem. Era um homem que aparentava ter uns 60 e poucos anos de idade. Era bem claro de pele. Olhos claros, um perfeito gringo! Não parecia nem brasileiro, mas devia ser sim...falava português perfeitamente natural. O Bebê devia ter um ano. Pouco mais ou menos (sou péssima para chutar a idade das pessoas). Aquela criança era mulata, cabelo tão pretinho! Tinha a aparência de ser gerado por pessoas nascidas no nordeste do nosso vasto país. Aquele pequenino mal consegui ficar em pé, mas se esforçava! O senhor, que se referia ao menino como pai, se divertia com ele e se ocupava em segurar o mulequinho cheio de vida pelas mãos. Verdade que o pequeno estava ávido por se soltar da mão do pais e explorar o vagão, mas não andava muito bem devido a sua pouca destreza nas perninhas. Assim, o pai driblava o menino ensinado coisinhas pequenas pra distrair o seu filho enquanto não era chegada a hora de desembarcar. Pai e filho se divertiam. O pai ensinava uns ruídos do que parecia ser uma canção enquanto batia um dos pés, simulando assim uma dancinha. Os olhos daquele menino brilhavam, como se o pai estivesse apresentando a coisa mais legal que ele tivesse visto em sua curta e recente vida...O menino olhava e repetia, desajeitado, o que o pai fazia! Lindo os dois cantando e batendo os pés juntos. Linda sintonia. Era lindo e aconchegante ver como ambos se tratavam. Em dado momento o pai pega o seu menino no colo de forma brusca e divertida. Ele olha para o seu filho e faz confissões de amor. Nunca vi coisa igual! O menino, embora entendesse muito pouco sobre o mundo verbal, sabia que era amado. Embora estivesse bloqueado nos braços do sei pai, se sentia livre...Não se sentia censurado por ter sido retirado do chão, antes, continuou a brincadeira! Notando que uma moça estava um silêncio na sua frente, lendo um livro - ele que estava de frente pra ela, e ela de costas pra ele - sentiu desejo de "conversar" com ela! kkkkkkk...Não sabia falar nada, logicamente. Por isso emitia sonsinhos e gritinhos muito engraçados! a moça continuou da mesma forma, lendo e ignorando, e o mocinho continuava na sua tentativa de iniciar uma conversa!kkkkkkkkkk...
Nossa, ver tudo aquilo valeu o meu dia. Duas figuras tão diferentes. Tão iguais. Mesmo espírito, muito mágico. Pude ver que apesar da loucura absurda e frenética dos últimos dias, o amor continua existindo... Que não existe idade para amar, para servir, para cuidar, para receber amor, pra deixar um legado nobre para as próximas gerações... Fantástico! Naquele dia me senti grata a Deus por ter olhos pra enxergar aquela visão, e por ter um pouquinho de sentimento pra não deixar passar os meus olhos distraídos sobre aquela lição de vida tão profunda. Lição esta que me dizia que mesmo que o mundo seja tão impregnado de maldade, o amor ainda não morreu...
Quando me dei conta, notei que eu não tinha desviado a minha atenção da cena desde que tinha entrado no vagão. Então, um pouco envergonhada por me sentir enxerida, comecei a passear meus olhares pelo vagão. Sabe o que foi que eu notei? Que assim como eu muitas outras pessoas estavam apreciando aquela cena tão doce! Algumas até com um sorriso discreto querendo terminar de se formar no rosto. Fiquei feliz por isso. Pude notar também, com isso, que as pessoas, mesmo na canseira e correria do seu dia-a-dia ainda foram capazes de saírem do seu estado de ausência de espírito e se sintonizarem...notarem aquele pai e aquele filho...tenho certeza que cada um ali, assim como eu, pode tirar uma boa lição daquilo. Cada um a sua maneira. Mas aquilo não passou desapercebido! Talvez alguns estivessem se lembrando como era cuidar de seu filhos quando eles eram tão pequenos...Coisa incrível! Milagre da empatia, milagre da vida, milagre de Deus....Sou grata por viver

2 comentários:

  1. Seu texto é otimo, parabéns! É mesmo intrigante essa sensibilidade que temos de enxergar a poesia nos lugares mais inusitados...
    Fiquei com pena da moça que não se desprendeu da leitura.
    Já está adicionado aos favoritos. Vai em frente, Haifitcha. (Orgulho da minha Fi!!!). <3
    Bjo.

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  2. Sou péssima com as palavras, mas acho importante registrar aqui que concordo com você, precisamos aprender a olhar e emprestar nossos olhos e pegar emprestado os olhos dos outros.

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