
Gostaria de dividir essa pequena experiência com todos vocês, mais uma vez. Foi um momento bem especial pra mim, nunca me esqueci dele (e olha que já faz muito tempo que esse relato já aconteceu, acho que, no mínimo uns três anos atrás!).
Estava eu nas longas escadas rolantes da estação Tucuruví do metrô. Estava descendo para ir em direção a minha rotineira viagem de metrô que começava no Tucuruví e terminava na estação da Luz. Eu me encontrava devorando um saco de salgadinhos enquanto observava um casalzinho de meninos de rua. Eles estava se divertindo muito! Subiam e desciam as escadas rolantes;apostavam corrida; tentavam descer na escada que subia; subir na que descia; riam alto e gritavam exultantes, uma verdadeira farra! Farra contagiante!
Eu observava em silêncio enquanto sorria por dentro, contagiada com aquela festa simples. Chegou um momento em que os meninos atravessaram correndo a escada em que eu estava. A menina, mais velha, por ser mais rápida passou por mim primeiro e me ultrapassou, mas parou. Deu dois passos pra trás! Ela, atraída pelo saco de Doritos que eu estava comendo, voltou e me pediu um pouco. Eu, que não consigo negar comida, disse a ela que juntasse as mãos (para que eu pudesse despejar um punhado nas mãos dela). Ela me obedeceu! Juntou as mãos e recebeu feliz os salgadinhos. Terminada a adoção do novo bem, ela continuou correndo escadaria abaixo! O menininho, que aparentava uns cinco ou seis anos, menos ágil que a garota (que aparentava uns onze) veio logo atrás. Ele, vendo que a sua companheira de brincadeiras acabara de ganhar algo interessante, ficou com vontade. Como ela, também passou por mim e me pediu um pouco do que ela havia recebido! Eu fui dar a ele, mas confesso que um pouco desapontada porque não havia restado muita coisa...Tinha dado muito a garota...Mas aquilo que tinha no saco eu despejei nas mãozinhas do menino. Olhei pra ele e disse, brincando:
"Ei, você precisa ser mais esperto! A sua amiga passou na frente e eu dei quase tudo pra ela! Sobrou pouco pra você...Não deixe te passarem pra trás não ,hein?!"
Ele, com uma intimidade muito doce olhou no meu rosto, instantaneamente me abriu um sorriso lindo e verdadeiro! Foi o sorriso que abriu o sol no meu dia.....(Ele sorriu por gratidão, por mais que o salgadinho recebido, mas pela atenção e pelo que as minhas palavras tinham acabado de produzir nele....) Meus Deus! --Pensei... Naquele momento ele já não era mais um menino-de-rua, mas uma criança.......Como qualquer outra......Dona de um coração bom e cheio de sonhos infantis...Dona de um longo caminho pela frente....Longo e duro, mas mesmo assim, era capaz de fazer da vida uma farra e dar um sorriso tão precioso pra uma estranha....
-Muitooooooooo Bom Por Aki...
ResponderExcluir-Já estou seguindo... Parabéns pela estrutura do contexto...
Um Abraço...
Eu adoro crônicas! Acho que esse texto é um exemplo perfeito do que a crônica deve capturar -- a chamada "poesia do cotidiano". Muito legal!
ResponderExcluir...E não me surpreende nada que um momento tão inusitado e bonito tenha acontecido com alguém com uma alma tão bonita quando a sua =D
Gente, que orgulho de ser namorado dela! hehehe
Beijão =)
Quem tem os zóinhos de jabuticaba da Haifa; encontra poesia em todo caminho...
ResponderExcluirVoce tava certa. Eu me amarrei nessa crônica.
Amor da Ma. Bjo.